Wednesday, April 25, 2007

E ainda....




Dou por mim a dar voltas na cama... faz hoje 5 meses, cinco longos meses que escolheste o teu dia, o dia da tua partida... não sei a que horas te deitaste, concerteza terá sido por esta hora...ou terá sido mais cedo? Ou mais tarde? Não sei, ninguem sabe... só sabemos que não acordaste mais... nunca me esquecerei da tua imagem a dormir na cama... parecia que estavas a dormir, mas seria o chamado sono eterno.


Foram 5 meses, perdi os dias em que te chorei, perdi as vezes em que te chamei, perdi as vezes em que te trouxe á lembrança.... perdi a conta em que te que chamei de pai... sei que tudo tem um principio, um meio e um fim.... gostava de te ter escrito um fim diferente, um final feliz... gostava de ter estado ao teu lado... que tivesses feito parte da minha vida duma forma que eu me pudesse orgulhar de mim... mas não posso pai.... não tenho orgulho em mim, não, se no final tu decidiste partir... não foi o suficiente... nunca o é, mas para ti tenho a certeza que não foi... escapaste me entre os dedos pai...


Cinco meses e continuo assim pai, tão sem vontade... tão vazia... sinto vida a escapar me entre os dedos... as pessoas não compreendem pai, que eu ainda não tenha conseguido compreender o facto de teres falado comigo no dia 23 de novembro me tenhas pedido para ir falar contigo e eu te tenha respondido que não tinha tempo... as pessoas não compreendem que eu não consigo voltar a estar bem comigo mesmo, tenho uns dias melhores, outros que fingo que estou bem, mas não, não consigo ser eu , não consigo ser a mesma... não consigo prever o futuro não posso mudar o passado e não posso viver no presente como se estivesse tudo bem... não sei o que teria sido diferente se tivesse ido ter contigo, mas a dúvida impede me de ser feliz... podias até ter decidido morrer no sábado, mesmo que tivesses falado comigo... e aí poderia ser diferente... a dor seria sempre exactamente a mesma, mas a culpa poderia ser que diminuisse... para alem da saudade que tenho tuas.... tenho pena pai... de te ter deixado ir embora quando desliguei o telefone nesse dia... não me lembro de como me despedi de ti nesse dia... gostava de te ter dito: "Está bem pai, passo ai quando chegar de lisboa...." e seria tudo tão diferente...

Que dor pai... que saudades, que peso... angustia.... lembrar me os teus ultimos momentos é um verdadeiro pesadelo... mas real... pai como eu queria que fosse diferente...

Foste embora, os problemas continuam cá.... só tu é que não... que vazio... que fosso...


5 meses... e parece que foi ontem que te descemos á terra...chovia tanto, no tempo e em nós....


Pai custa me acabar este texto... hoje mais que nunca estou triste.... desculpa me....


Um beijo daqueles que te queria ter dado


da tua filha

M.

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