Monday, March 26, 2007

4 meses....




Quatro meses, 120 dias, sem ti.... 120 dias em que o telefone toca e que sei que não serás tu do outro lado, 120 dias em que tenho a certeza cada vez mais dolorosa que não te poderei mais pedir perdão, que não te poderei dizer que nunca devia ter misturado sentimentos, revoltas angustias, 120 dias em que simplesmente não te tenho como pai.... faz hoje 120 dias em que por esta hora eu não queria sair de opé do que restava de ti... faz hoje 120 dias que te vi deitado na cama e simplesmente não acreditei que não te fosses levantar mais...

Sabes pai o que me magoa mais, é o facto de não ter sabido aproveitar te como pai, de não te ter tocado mais vezes no cabelo, não te ter tentado ter tocado mais vezes no coração, de não te ter ido ver mais vezes, de não ter dito que te amava,tu amavas nos, disso não tenho duvidas, a tua casa, as tuas coisas são disso prova, todos os trabalhos, todas as prendas que te demos, permaneciam em tua casa, como se de um museu se tratasse, vivias num mundo só teu, e que tão poucas vezes nos deixaste entrar, e quando o quiseste nós não nos apercebemos... lembro me das borboletas no teu velorio e realmente não posso deixar de pensar nas coincidencias da vida, as borboletas essas que tu fugias a sete pés enquanto estavas vivo, e que no teu velorio andavam á tua volta....

Sabes mudou muita coisa nestes 4 meses, mas se me pudesses ouvir gostava de te dizer o seguinte, os problemas esses pai continuam cá,tal e qual como quando cá estavas, a diferença é que em mim agora há um vazio tão grande, uma dor e uma saudade que não havia quando ainda estavas junto de nós...

O tempo ajuda a serenar as almas... pelo menos é o que dizem, o tempo a mim traz me a saudade e a culpa, de não te ter chamado mais vez pai, na verdadeira essencia da palavra, pai como te chamava quando te pedia juntamente com o F. para ires comnosco guiar, passear ou simplesmente nos fazeres coceguinhas nos braços... arrependo me de não ter sabido dar continuidade a essa palavra que agora me parece tão grande... PAI.

Quatro meses me separam da frase, "M. o pai morreu.", 4 meses me separam do meu eu de hoje com o meu eu de há 4 meses...


Pai, onde quer que estejas espero que recebas este beijo

Pai onde quer que estejas espero que olhes por nós

Pai onde quer que estejas lembra te....


um beijo da tua filha


M.

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